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Fernanda R-Mesquita

fmaria1961@gmail.com

O JOÃOZINHO- poesia

Joãozinho estava a ficar grandinho,

já comia sozinho

e passara a idade de usar babete...

Mas um dia, no dia em que fazia sete aninhos,

a mãe estranhamente amorosa disse:

- Comprei-te um babete com o número sete.

Hoje tens de o usar. Vá senta-te.

Está quieto,

hoje é dia de festa.

Pronto... assim.… toma.

Hoje, quem te dá a sopa, sou eu.

Não vás por nódoa no fato novo...

Não está quente, não vês que estou a soprar?

Bonito, comeu a sopa toda!

Limpa a boca, toma o guardanapo.

Não te amarrotes,

a roupa nova vai parecer um trapo...

Daqui a pouco os convidados estão a chegar!

Não, não comas chocolates...

Só depois de cantarmos os parabéns.

Não passes a mão no cabelo!

Está quietinho,

vais entortar o lacinho!

Quieto não torças o nariz,

vão pensar que nem maneiras tens!

O que foi? Não estás feliz?

O que foi? Uma lágrima?

Não gostas do fato novo?

Não?

Não gostas das senhoras que vieram à tua festa?

Olha que elas têm muitos presentes!

Também não gostas?

Hum...

Olha espera, fecha os olhos!

Um pouco depois,

o Joãozinho ouviu a mãe bater palmas,

abriu os olhos e viu...

Ah, que lindo;

os seus amigos

cheios de sorrisos que pareciam coloridos balões

e as pernas tão livres dentro dos calções...

Mas... e aquele triste olhar?

E aquele beicinho? Parecia querer chorar!

Joãozinho olhou para baixo...

Como dizer que não gostava da roupa nova?

Nem se podia mexer! A roupa brilhava tanto,

mas tinha um ar tão austero,

ordenava-lhe que ficasse quieto a um canto.

Como dizer-lhe; tira-me isto, não quero!

A mãe que o entendeu

enfrentou o exame critico das senhoras;

retirou-lhe o lacinho,

afinal dava-lhe um ar tão aflitinho,

como se estivesse a explodir.

Tirou-lhe o colete,

pegou na tesoura, cortou-lhe as mangas da camisa

e o Joãozinho começou a rir...

A mãezinha contagiada pela felicidade do menino

arregaçou-lhe as calças até aos joelhos,

retirou-lhe os sapatos de verniz

e deixou-o andar descalço...

Joãozinho correu, saltou

brincou como se dissesse,

obrigado, mãe, por me deixares ser feliz!

 

Por um momento, Joãozinho, parou  

olhou a mãe, correu para ela

e aconchegando-se no seu regaço

estreitou-a num abraço ...

Como ela se comoveu

quando ele lhe segredou;

obrigado, mãe, por me deixares ser eu!



Fernanda R-Mesquita